Traqueostomia em bebê: quando um procedimento salva vidas

Postado na categoria Artigos em e atualizado em 13 de fevereiro de 2026


Conheça a história real da Melissa

Melissa tinha 17 dias de vida quando precisou ser transferida às pressas para Belo Horizonte.

“Melissa nasceu em março de 2023 em um parto domiciliar, estávamos apenas eu e o pai dela, foi a coisa mais maravilhosa, ela nasceu perfeita!”

Ela havia nascido em março de 2023, em um parto domiciliar. Estavam apenas os pais. Tudo correu bem.

Quinze dias depois, veio a bronquiolite.

O quadro respiratório piorou rapidamente. A internação tornou-se inevitável. Com 17 dias de vida, ela precisou ser transferida para Belo Horizonte, sendo internada no Neocenter Felício Rocho, referência em cuidado neonatal e pediátrico de alta complexidade.

Ali começava uma jornada que a família nunca imaginou viver — a traqueostomia.

O que é traqueostomia em bebê?

A traqueostomia é um procedimento cirúrgico que cria uma abertura na traqueia para permitir que o ar chegue diretamente aos pulmões por meio de uma cânula.

Em bebês, ela costuma ser indicada quando:

  • Há obstrução das vias aéreas superiores
  • Existe necessidade de ventilação mecânica prolongada
  • A intubação orotraqueal já não é segura ou viável
  • Há risco de sequelas com manutenção da intubação

Na pediatria, diferentemente do que muitos imaginam, a traqueostomia não representa um “fim”, mas muitas vezes um recomeço.

Para entender de forma mais detalhada os critérios médicos e as indicações clínicas do procedimento, leia também nosso artigo técnico sobre Traqueostomia em crianças: a importância do cuidado multidisciplinar.

Quando o medo chega antes da informação

Melissa ficou bastante tempo entubada.

“Na internação, ela teve uma piora e com 17 dias precisou ser transferida para Belo Horizonte. No Neocenter fomos muito bem atendidos. Ela ficou bastante tempo entubada e precisou fazer uma traqueostomia. A cirurgia foi feita aos 40 dias de vida, no Hospital Felício Rocho.”

Para muitas famílias, a palavra “traqueostomia” chega carregada de medo.

“Tudo a princípio foi bem assustador, fiquei com muito medo, eu nunca tinha ouvido falar em traqueostomia, não conhecia nenhuma criança traqueostomizada.”

O desconhecimento amplia a angústia.
Por isso, antes da alta hospitalar, a família recebe orientação detalhada sobre cuidados, manejo da cânula e sinais de alerta.

Como é o cuidado com um bebê traqueostomizado em casa?

A alta hospitalar não significa fim do cuidado — significa transição.

A rotina passa a envolver:

  • Higienização adequada da cânula
  • Aspiração das vias aéreas quando necessário
  • Monitorização constante
  • Observação de sinais de infecção
  • Organização do suporte domiciliar

A equipe multiprofissional do Neocenter Felício Rocho, em Belo Horizonte, acompanhou cada etapa da adaptação da família, desde o treinamento técnico até o preparo emocional para a alta hospitalar.

“Aí nós ficamos no Neocenter Felício Rocho até aprendermos sobre todo o cuidado com ela, como seria. Quando a gente recebeu alta, ela estava perto de fazer dois meses e a volta para casa foi tranquila, mas eu confesso que nos primeiros dias eu tive muito medo de ficar com ela, apesar de ter ajuda doe técnico de enfermagem no home care, ainda assim foi bem difícil.”

A adaptação acontece dia após dia.

“Fomos nos adaptando.”

Criança com traqueostomia pode viver normalmente?

Uma das perguntas mais buscadas no Google é: bebê com traqueostomia pode ter vida normal?

Na maioria dos casos, sim.

Hoje, quase três anos após o procedimento:

“Agora já estamos há quase três anos nessa rotina e a gente já está bem adaptado. Graças a Deus, ela já faz praticamente tudo que uma criança na idade dela faz: ela anda, ela come direitinho, ela fala muito, ela brinca bastante, já toma banho de piscina e a gente está aguardando o tempo certo de Deus para ela ficar sem a traqueostomia.”

Com acompanhamento adequado, muitas crianças crescem, brincam, aprendem e se desenvolvem.

Complicações podem acontecer?

Sim.

Crianças traqueostomizadas podem apresentar intercorrências, especialmente infecções respiratórias.

Com Melissa não foi diferente.

“Depois de um tempo em casa, em 2024, ela pegou uma pneumonia e ficou bastante grave, teve que retornar para o hospital e nós ficamos no Neocenter Felício Rocho mais uma vez. Passamos momentos bem difíceis ali com ela. Ela esteve entre a vida e a morte mas, graças a Deus, deu tudo certo e nós retornamos para casa.”

Ela retornou para internação no Neocenter Felício Rocho, em Belo Horizonte, onde recebeu novamente suporte intensivo especializado.

Esse tipo de situação reforça a importância do acompanhamento contínuo em um centro estruturado.

A traqueostomia é permanente?

Nem sempre.

Em muitos casos pediátricos, a traqueostomia é temporária. Conforme a criança cresce e o quadro respiratório melhora, pode ser possível realizar a decanulação — a retirada da cânula.

Cada caso é único e deve ser avaliado por equipe especializada.

O papel do acompanhamento multiprofissional

O sucesso não está apenas na cirurgia.

Envolve:

  • Pneumologia pediátrica
  • Fisioterapia respiratória
  • Fonoaudiologia
  • Enfermagem especializada
  • Nutrição
  • Apoio à família

O Neocenter Felício Rocho, localizado em Belo Horizonte, atua no cuidado de recém-nascidos e crianças com condições respiratórias complexas, integrando UTI neonatal, suporte ventilatório especializado e acompanhamento multiprofissional contínuo.

Quando a traqueostomia salva vidas

Para a família de Melissa, a traqueostomia deixou de ser apenas um procedimento médico.

“Melissa é o nosso milagre e eu só tenho a agradecer a Deus pela vida dela e por todas as experiências que a gente tem vivido, a partir dessa traqueostomia que nos permitiu conhecer pessoas incríveis e histórias de crianças incríveis também nessa jornada.”

A traqueostomia em bebê pode assustar.

Mas, quando indicada com critério e acompanhada por equipe especializada, ela representa algo muito maior: a chance de continuar.

E continuar, muitas vezes, é tudo.

Confira as fotos da Melissa em nosso Instagram.

Perguntas frequentes sobre traqueostomia em bebê

Traqueostomia em bebê é perigosa?
É um procedimento delicado, indicado quando os benefícios superam os riscos. Em situações de insuficiência respiratória grave, pode salvar vidas.

Bebê com traqueostomia pode ir para casa?
Sim. Após treinamento adequado da família e organização do suporte domiciliar, a criança pode receber alta e seguir acompanhamento ambulatorial.

Traqueostomia é permanente?
Nem sempre. Em muitos casos pediátricos é temporária e pode ser retirada quando a condição respiratória melhora.

Criança traqueostomizada pode falar?
Depende do quadro clínico, mas muitas crianças desenvolvem fala com acompanhamento fonoaudiológico.

Como cuidar da traqueostomia em casa?
É necessário realizar higienização adequada, aspiração quando indicada, troca de fixação e monitoramento constante conforme orientação médica.

Outras fontes recomendadas: Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria

Receba novidades


Digite seu e-mail no campo ao lado para se cadastrar!