Após acidente grave, criança recebe alta da UTI Pediátrica depois de quatro meses de internação

Postado na categoria Artigos em e atualizado em 18 de setembro de 2026


Arthur sobreviveu a um grave acidente de trânsito que tirou a vida de seu pai e de sua irmã. Após quatro meses de cuidados intensivos no Neocenter Felício Rocho, ele teve alta da UTI Pediátrica e voltou para casa em 18 de setembro, primeiro dia da Semana Nacional de Trânsito. Para a mãe, a alta representa o início de uma nova etapa — e uma história que ela decidiu compartilhar para que outras famílias não percam a esperança.

Porém, há momentos em que uma alta hospitalar significa muito mais do que deixar a UTI.

Para Arthur, de três anos, e sua mãe Aline, voltar para casa depois de quatro meses de internação significa atravessar uma das etapas mais difíceis de uma história marcada por perdas, cuidado intensivo, pequenas conquistas e esperança.

Arthur foi vítima de um grave acidente de trânsito durante uma viagem de lazer da família para a Bahia. O pai perdeu o controle do veículo, que colidiu de frente com um caminhão. Infelizmente, por isso, o pai e a irmã do menino morreram no local.

Arthur sobreviveu gravemente ferido.

A partir daquele momento, sua mãe passou a enfrentar duas experiências ao mesmo tempo: o luto pela morte do marido e da filha e a luta pela recuperação do filho.

Durante os quatro meses seguintes, a UTI Pediátrica do Neocenter Felício Rocho passou a fazer parte da vida dessa família.

Quatro meses de cuidados intensivos após um acidente grave

O quadro de Arthur exigiu uma longa internação e acompanhamento de uma equipe multidisciplinar até a alta da UTI Pediátrica.

Segundo sua mãe, houve momentos em que as perspectivas em relação à recuperação do filho eram extremamente difíceis. Ainda assim, ela continuou acompanhando cada resposta ao tratamento, cada evolução e cada pequena conquista.

Ao cuidado médico e de enfermagem somaram-se fisioterapia, fonoaudiologia e a atuação dos demais profissionais envolvidos em sua assistência.

Mas, quando chegou o dia de ir embora, a mãe de Arthur mostrou que sua memória daqueles quatro meses não era feita apenas de procedimentos, exames e tratamentos.

Ela se lembrava de pessoas.

O cuidado que alcançou também a família

No depoimento que fez à equipe no dia da alta, a mãe agradeceu a médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas e fonoaudiólogos. E fez questão de citar também profissionais da recepção, portaria e limpeza.

Pessoas que aprenderam o nome de Arthur.

Que conversavam com ele.

Que, ao entrar no quarto, diziam que chegaria o dia em que ele iria embora.

“Eu queria que vocês sentissem o amor e a gratidão que eu tenho por todos vocês que passaram pelo Arthur, diretamente ou indiretamente. Pelo acolhimento não só com ele, mas com a minha família”, disse.

Em uma internação prolongada, especialmente em terapia intensiva pediátrica, a assistência ao paciente convive diariamente com outra necessidade: acolher uma família submetida à incerteza, ao medo e, neste caso, também ao luto.

A mãe de Arthur contou que familiares e pessoas próximas se revezaram para permanecer ao lado do menino. Essa rede de apoio também encontrou suporte nos profissionais que faziam parte da rotina hospitalar.

Portanto, é nesse encontro entre conhecimento técnico e cuidado humano que se constrói uma assistência verdadeiramente integral.

A alta da UTI é uma etapa da recuperação

Em 18 de setembro, quatro meses depois do acidente, chegou o momento de voltar para casa.

Arthur recebeu alta traqueostomizado e ainda apresenta importantes limitações decorrentes do quadro que enfrentou. Neste momento, ele não anda e tem comprometimento da visão.

A recuperação, portanto, continua.

Em casos graves, a alta hospitalar não significa necessariamente o encerramento do tratamento ou a recuperação completa das funções. Ela marca a possibilidade de seguir para uma nova etapa do cuidado e da reabilitação fora do ambiente de internação.

E é para essa nova etapa que sua mãe dirige agora toda a esperança que a acompanhou durante os últimos meses.

Por isso, ela espera ver Arthur avançar em sua recuperação, voltar a enxergar, falar e andar.

Sua imagem de futuro, porém, vai muito além das próximas etapas da reabilitação.

“Eu tenho muita fé e muita certeza de que Deus ainda está a operar um milagre na vida dele”, afirmou durante a despedida.

Depois, contou qual é uma das cenas que sonha viver:

“A maior maravilha que Deus vai fazer na minha vida é quando eu entregar o Arthur no altar para ele casar e viver o amor da vida dele.”

É a esperança de uma mãe projetada muitos anos adiante: não apenas para aquilo que o filho poderá recuperar, mas para tudo o que ela ainda deseja vê-lo viver.

Um Corredor da Esperança para voltar para casa

A saída de Arthur não poderia ser apenas a passagem por uma porta.

O Núcleo de Acolhimento ao Paciente preparou um Corredor da Esperança, com balões e a presença de profissionais que acompanharam o menino durante a internação.

Vieram os abraços. As despedidas. As lágrimas. Os agradecimentos.

Em seu depoimento, a mãe lembrou inclusive das profissionais da limpeza que conversavam com Arthur durante a rotina:

“E aí, Arthur, daqui a pouco você vai embora!”

Naquele 18 de setembro, o “daqui a pouco” finalmente chegou.

Ao terminar de agradecer à equipe, a mãe anunciou:

“Vamos para casa agora.”

Assista aqui ao momento da alta de Arthur

Depois de quatro meses de internação, profissionais que acompanharam Arthur e sua família prepararam um Corredor da Esperança para marcar sua volta para casa. 

Alta acontece no primeiro dia da Semana Nacional de Trânsito

A data acrescentou um significado inesperado à história.

Arthur voltou para casa em 18 de setembro, primeiro dia da Semana Nacional de Trânsito, realizada anualmente de 18 a 25 de setembro.

Para uma família cuja vida foi transformada por uma colisão, a coincidência chama atenção para uma dimensão dos acidentes de trânsito que nem sempre cabe nas estatísticas.

Um acidente pode durar segundos.

Suas consequências podem permanecer durante meses, anos ou por toda a vida.

Elas chegam às UTIs, aos serviços de reabilitação e às casas. Alteram rotinas, projetos e relações. E podem mudar definitivamente a história de uma família.

Por isso, falar de segurança no trânsito é também falar de proteção à vida.

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“Não quero que as pessoas percam a esperança”

A decisão de tornar essa história pública partiu da própria mãe de Arthur.

Depois do acidente, das perdas e dos quatro meses acompanhando o filho na UTI Pediátrica, ela entende que compartilhar sua experiência pode ter um significado para outras pessoas que estejam vivendo situações extremamente difíceis.

Sua mensagem não é uma promessa de que todas as histórias terão o mesmo percurso. Quadros clínicos são individuais, e respostas ao tratamento e possibilidades de recuperação também são diferentes para cada paciente.

O que ela quer compartilhar é outra coisa.

Esperança.

A esperança que encontrou na fé, na família e em sua rede de apoio. A esperança alimentada a cada pequena evolução do filho. E o acolhimento que, segundo ela, recebeu das pessoas que cuidaram de Arthur durante os últimos quatro meses.

A mesma esperança que, no dia da alta, ganhou a forma de um corredor de pessoas esperando para se despedir.

Depois de quatro meses na UTI Pediátrica, Arthur foi para casa.

Sua recuperação continua.

E, por isso, sua mãe escolheu começar essa nova etapa contando a história para que, diante dos momentos mais difíceis, outras famílias saibam que ainda pode existir espaço para esperar pelo próximo passo.

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